O fundo imobiliário HSLG11, gerido pela Hemisfério Sul Investimentos (HSI), fechou em alta nesta quarta-feira (19), após registrar a maior baixa do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) na véspera, com recuo de 9,14%.
Na sessão desta quarta-feira, o FII encerrou as negociações com valorização de 3,16%, a R$ 74,80 por cota, figurando como a segunda maior alta entre os integrantes do IFIX no pregão.
A forte mudança de valor ocorre em meio à exposição de mais de 30% da receita do fundo imobiliário à Casas Bahia, que entrou recentemente com pedido de recuperação judicial (RJ), gerando incertezas sobre o futuro da rede varejista.

Fundo enfrenta atraso nos aluguéis
Nesta terça-feira (18), o HSLG11 informou que a Casas Bahia não pagou os aluguéis com vencimento em agosto dos dois imóveis ocupados em seu portfólio.
A gestão informou que comunicou a varejista sobre a falta de pagamento e notificou a empresa sobre a possibilidade de aplicação das penalidades previstas nos contratos.
Além disso, também explicou que os valores vencidos constituem crédito do HSLG11 contra a companhia no contexto do pedido de recuperação judicial. Ainda assim, o fundo manifestou a intenção de manter os dividendos em R$ 0,75 por cota no anúncio previsto para 31 de agosto.
Segundo a gestão, caso os aluguéis devidos pela Casas Bahia não sejam recebidos integralmente no período, o saldo poderá complementar a receita necessária à distribuição. A projeção, como ressalvou a gestão, não representa promessa nem garantia de rentabilidade.
A sinalização ocorreu após dois pregões de forte pressão sobre as cotas. Entre segunda e terça, o fundo acumulou queda próxima de 15%. A desvalorização foi revertida nesta quarta-feira, após as novas declarações da gestão.
Exposição da Casas Bahia ao HSLG11
No domingo, 16 de agosto, a Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial (RJ) na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Atualmente, a varejista ocupa os imóveis HSI Log. Contagem, em Minas Gerais, e HSI Log. São José dos Pinhais, no Paraná, que correspondem a 30,9% da receita contratada do HSLG11.
A gestão, por outro lado, informou que não recebeu manifestação da varejista indicando intenção de rescindir os contratos ou deixar os empreendimentos.
No pedido de recuperação judicial, a rede varejista incluiu as locações dos imóveis do HSLG11 entre os contratos considerados essenciais, cuja manutenção foi solicitada à Justiça.
No entanto, a situação dos pagamentos requer acompanhamento, segundo o fundo. Os aluguéis com vencimento em julho foram integralmente quitados, mas os valores vencidos em agosto ainda não haviam sido pagos até a divulgação do fato relevante.
No momento, a Casas Bahia já foi notificada pelo HSLG11 sobre o atraso e sobre a possibilidade de aplicação das penalidades previstas nos contratos.
O fundo ressalta que, pela legislação de recuperação judicial, obrigações contraídas após o deferimento do processamento do pedido, incluindo aluguéis que vencerem a partir desse momento, são consideradas créditos extraconcursais.
Na prática, esses valores não ficam submetidos aos efeitos da recuperação judicial e devem ser pagos normalmente. Até a publicação do comunicado, ainda não havia decisão sobre o pedido da Casas Bahia.
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