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Casas Bahia (BHIA3) desaba 36% na B3 após prejuízo de R$ 10,1 bi e pedido de recuperação judicial

As ações da Casas Bahia (BHIA3) despencaram mais de 36% nesta segunda-feira (17) e lideraram a ponta negativa do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26). Segundo o relatório referente ao período, a companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, mais de 18…

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As ações da Casas Bahia (BHIA3) despencaram mais de 36% nesta segunda-feira (17) e lideraram a ponta negativa do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26).

Segundo o relatório referente ao período, a companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, mais de 18 vezes o saldo negativo do ano anterior, e, consequentemente, entrou com pedido de recuperação judicial (RJ), protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

Dessa forma, os papéis BHIA3 fecharam as negociações com queda de 33,33%, cotados a R$ 0,45, após atingirem R$ 0,42 na mínima do dia, quando registraram um tombo de 36,4%.

Diante desse cenário, a XP Investimentos colocou a recomendação do ativo e seu preço-alvo sob revisão, enquanto o Banco Safra destacou que a queima de caixa, aliada ao pedido de RJ, eleva significativamente os riscos de execução da empresa.

O que diz a Casas Bahia (BHIA3)?

Em relação ao pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia apontou a combinação de patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.

Além disso, a empresa ressaltou que alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas não se concretizaram, agravando a deterioração de suas finanças.

“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, informou a companhia.

No mesmo pedido, o conselho de administração da empresa aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) na data mais breve possível para deliberar sobre o tema com os acionistas.

Balanço do 2T26 e reestruturação

Do prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões reportado no trimestre, R$ 9,1 bilhões decorreram de eventos não recorrentes, incluindo contratos não performados, baixa de ativos, despesas de reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.

Com o resultado, o patrimônio líquido da varejista ficou negativo em R$ 8,1 bilhões. A empresa também confirmou o fechamento de 298 lojas, como parte da reestruturação.

O CEO da varejista, Renato Franklin, destacou que a estratégia envolve operar uma estrutura menor, mais seletiva e focada em atividades capazes de gerar retorno e caixa, adequando custos, reduzindo a necessidade de capital empregado e preservando as operações de maior capacidade econômica.

“A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado”, destacou Franklin.

Em paralelo, a Casas Bahia anunciou a renúncia do diretor jurídico e tributário, Fábio Spina, além dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón Peres. A empresa informou que Spina permanecerá atuando como consultor.

Avaliação do mercado

A XP Investimentos avaliou os resultados do 2T26 como fracos, refletindo a deterioração do cenário macroeconômico e o aumento dos riscos de reestruturação. A corretora também destacou que a auditoria EY apontou incerteza relevante sobre a continuidade operacional da companhia.

Segundo a análise da XP, os fornecedores podem restringir ainda mais as condições de crédito comercial, pressionando a disponibilidade de mercadorias para o quarto trimestre de 2026.

Além disso, sindicatos estariam articulando uma ação coletiva referente às cerca de 1,9 mil demissões decorrentes do encerramento das unidades físicas.

Para o Banco Safra, o encerramento de 298 lojas, equivalente a quase 30% da base física, ocorreu em meio ao acesso restrito ao crédito e à menor capacidade de compras, somados a R$ 9,2 bilhões em ajustes contábeis.

O banco também ressaltou que “a posterior aprovação e apresentação do pedido de recuperação judicial confirma a gravidade da deterioração da liquidez, uma vez que a companhia citou a restrição de liquidez e o fracasso das alternativas de financiamento anteriormente estruturadas.”

O Safra enfatizou que a aprovação do pedido de recuperação judicial confirma a gravidade da crise de liquidez. Assim, o banco manteve a recomendação de venda para os papéis BHIA3, com preço-alvo fixado em R$ 1,20.

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