No 19º episódio do Terça de Valor, apresentado por Gabriel Porto, a investidora Carolina Oliveira (@carolinaoliveeira) compartilhou sua visão sobre a participação das mulheres no mercado financeiro. A presença feminina ainda é menor do que a masculina, embora as mulheres representem mais da metade da população brasileira.
Durante a entrevista, a especialista em finanças para mulheres falou sobre os desafios para ampliar esse público nos investimentos e abordou temas como organização financeira, renda fixa, investimentos no exterior e autonomia dentro dos relacionamentos.
Para Carolina, um dos principais obstáculos está na própria comunicação do mercado financeiro, historicamente mais direcionada aos homens. “O investimento não muda por ser uma mulher que está investindo, mas a forma como essa mulher será inserida nesse universo é diferente”, afirmou.
A especialista também destacou particularidades da vida financeira feminina, como maternidade, diferenças de renda ao longo da vida e maior expectativa de vida, fatores que, segundo ela, devem ser considerados no momento da construção do patrimônio.
Quem é Carolina Oliveira?
Formada em engenharia naval, Carolina Oliveira teve o primeiro contato com investimentos ainda na faculdade, em 2019. Em meio ao crescimento do interesse por ações, começou a estudar o mercado e posteriormente descobriu a profissão de assessora de investimentos.
Em 2021, entrou oficialmente no mercado financeiro em Manaus, sua cidade natal. Na época, o escritório tinha nove assessores, dos quais apenas duas eram mulheres.
“Como eu vim da engenharia, que também era um mercado muito masculino, eu já vim um pouco mais familiarizada com esse mundo na hora de entrar para o mercado financeiro”, contou.
Seis meses depois, Carol se mudou para São Paulo e passou a trabalhar na Faria Lima, onde permaneceu por quase quatro anos. Durante o período, acompanhou diferentes histórias de construção de patrimônio e percebeu que não existe uma fórmula única para enriquecer, mas sim uma combinação de comportamento, planejamento e disciplina.
Em setembro de 2024, no entanto, decidiu deixar o mercado tradicional para empreender. Segundo Carol, as mulheres eram um público subestimado, que demonstrava interesse em investir, mas muitas vezes não se identificava com a maneira como o mercado tratava o tema.
A partir da experiência adquirida, passou a trabalhar com mentorias voltadas à organização financeira e aos investimentos para mulheres.
Mercado financeiro para as mulheres
Ao compartilhar relatos de suas clientes, Carol afirmou que muitas estão dando os primeiros passos no mercado e, por isso, demonstram maior interesse por renda fixa, especialmente Tesouro Direto, CDBs e crédito bancário.
Por outro lado, o investimento internacional também aparece nas conversas, principalmente entre mulheres com renda mais elevada e custos de vida parcialmente dolarizados.

A especialista ressalta, porém, que muitas ainda estão na etapa de entender os produtos e os riscos antes de avançar para Bolsa, FIIs ou investimentos no exterior. Segundo ela, é importante que a investidora tenha segurança e conhecimento antes de começar a assumir riscos maiores.
“Eu sempre reforço isso para as mulheres: tudo bem a gente ter ajuda de um gerente, de um assessor, de um consultor, do marido, do pai, mas a gente precisa entender minimamente sobre o assunto para que a gente consiga tirar as nossas dúvidas, saber dos riscos e tomar decisões com conhecimento suficiente para dizer: aquilo realmente pode estar na minha carteira”, afirmou Oliveira.
Falta de organização financeira
Em relação à aplicação dos recursos e à economia, Carol destacou que muitas mulheres chegam às mentorias sem conhecer adequadamente os próprios gastos. Para ela, o primeiro passo é entender para onde o dinheiro está indo.
A especialista também falou sobre o uso do cartão de crédito e a falta de acompanhamento da fatura.
“Quando a pessoa não tem uma intencionalidade na forma que ela utiliza o dinheiro dela, ou seja, que consequentemente será utilizado para pagar o cartão de crédito, acaba desorganizando tudo”, explicou.
Ela também apontou uma influência maior do fator emocional sobre o consumo feminino, citando situações em que sentimentos como felicidade ou tristeza podem estimular gastos.
Entre os fatores destacados por Carol estão ainda a pressão das redes sociais e do consumo. Para ela, mulheres são constantemente expostas a produtos, tendências e influenciadoras, o que pode estimular compras por impulso e criar uma sensação de necessidade de pertencimento.
Como Carolina Oliveira se organiza?
Ao encerrar a entrevista, Carol afirmou que a primeira medida para quem deseja começar a organizar a vida financeira é ter clareza dos próprios números.
“Hoje, com as minhas alunas, eu tenho usado uma planilha, que eu organizei de uma forma onde ela conseguisse ter uma visualização mais fácil da vida financeira dela”, compartilhou Carol, ao apresentar uma das ferramentas utilizadas para auxiliar na organização financeira.
“Quando você tem clareza de como você está utilizando o seu dinheiro, as coisas começam a acontecer, você começa a ser mais intencional”, completou.
Por fim, construir autonomia financeira também passa por entender as diferentes opções de investimento e escolher estratégias alinhadas aos seus objetivos. Conheça as carteiras recomendadas da Orion Research e acompanhe oportunidades selecionadas por especialistas. Acesse clicando aqui!
