Nesta terça-feira (6), foi ao ar o 23º episódio do Terça de Valor, apresentado por Gabriel Porto, que convidou o especialista em educação financeira, Rodrigo Góes (@goesrodrigo), para explicar como transformar gastos do dia a dia em milhas, escolher cartões de crédito e aproveitar estratégias.
Na visão de Góes, as milhas aéreas continuam sendo uma ferramenta relevante para quem busca reduzir os custos de viagens e até gerar renda extra. O mercado mudou nos últimos anos, mas continua fazendo sentido para diferentes perfis de consumidores. “O mundo das milhas é para todo mundo”, afirma.
Para ele, o aumento no preço das passagens torna o conhecimento sobre programas de fidelidade ainda mais relevante. O especialista cita um aumento de 16% no valor das passagens em 2026 e explica que as milhas podem ser utilizadas tanto para viagens quanto para reduzir os custos de uma passagem.
Como iniciar com as milhas?
Para os iniciantes, Góes recomenda, primeiramente, fazer o cadastro nos principais programas de fidelidade. Entre eles estão Smiles, da Gol, LATAM Pass, da Latam, Azul Fidelidade, além de programas como Livelo e Esfera.
Dessa forma, o consumidor deve anotar os gastos que já possui no dia a dia, como supermercado, farmácia e transporte, e verificar quais deles podem gerar pontos adicionais.
O cartão de crédito também pode fazer parte da estratégia. Góes recomenda verificar se o cartão utilizado atualmente acumula pontos e, caso não acumule, avaliar a possibilidade de migrar para uma opção que ofereça esse benefício.
“Cartão é uma dentre mais de 10 formas de acúmulo, inclusive uma das mais lentas, mas é interessante ter, sim, o cartão de crédito que acumule pontos e milhas e, inclusive, aproveitar benefícios oferecidos”, explica.
Escolha dos cartões de crédito
Durante a entrevista, Rodrigo Góes destaca que não existe um cartão de crédito universalmente melhor. A escolha depende dos gastos, objetivos e dos locais para onde a pessoa costuma viajar.
“Eu brinco que o melhor cartão é igual o melhor sapato. Depende se você gosta de salto alto, salto baixo, tem o pé grande, pequeno, vai na praia, vai jogar bola. Cartão de crédito é a mesma coisa”, afirma o especialista.
Ele também apresentou algumas opções de cartões de acordo com diferentes faixas de gastos. Para quem possui despesas entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, citou opções como Azul Platinum, XP Visa Infinite One e Porto Bank Platinum.

Já entre R$ 4 mil e R$ 7 mil, mencionou o Azul Visa Infinite, além de destacar cartões como o LATAM Pass e o C6 Carbon. Para gastos superiores, citou o Caixa Visa Infinite, o Revolut Ultra e, acima de R$ 15 mil, cartões como Bradesco Aeternum, Santander Unlimited e AAdvantage Santander.
No entanto, ressalta que, no momento da escolha, é importante observar a anuidade. “Quando a gente for olhar a anuidade do cartão, observar se o valor da anuidade compensa em relação aos benefícios que eu tenho. Se não compensar, é melhor trocar o cartão de crédito”, informou Góes.
Diferença entre pontos e milhas
Na conversa, Rodrigo Góes também explica a diferença entre pontos e milhas. Os pontos permanecem inicialmente nos programas de fidelidade dos bancos e podem ser transferidos posteriormente para programas de companhias aéreas.
Essa transferência pode ser ainda mais vantajosa quando realizada durante promoções bonificadas. Segundo ele, os programas podem oferecer bônus de 20%, 30%, 80% e até 120%, dependendo da companhia aérea e da promoção.
Por isso, ele considera um erro transferir pontos imediatamente sem avaliar as oportunidades disponíveis. “Não faz sentido você transferir sem essas bonificações”, afirma.
O especialista também explica que os pontos podem ser acumulados de diferentes formas além do cartão de crédito. Compras realizadas por meio de plataformas e lojas parceiras dos programas de fidelidade podem gerar pontos adicionais.
Assim, uma compra que já seria realizada pelo consumidor pode gerar pontos tanto pelo cartão quanto pela parceria entre o programa de fidelidade e a loja.
Milhas como renda extra
Ademais, as milhas não precisam necessariamente ser utilizadas em viagens. Para quem não pretende viajar, existe a possibilidade de vender os pontos ou utilizá-los para emitir passagens para terceiros.
Góes explica que a compra direta de milhas pode fazer sentido principalmente para quem pretende viajar, enquanto estratégias de compra promocional podem permitir tanto o uso próprio quanto a revenda.
Uma das alternativas mencionadas é a chamada compra no carrinho, na qual o consumidor utiliza pontos de programas bancários e dinheiro para adquirir milhas por um custo menor.
“A compra direta, como antigamente, só é vantajosa para viajar. A compra no carrinho é vantajosa tanto para viajar quanto para revenda”, explicou.
A diferença entre o valor pago e o preço pelo qual as milhas podem ser utilizadas ou revendidas pode gerar ganho financeiro.
Por fim, Rodrigo reforça que o objetivo com as milhas não é aumentar o consumo para acumular pontos, mas aproveitar melhor os gastos que já fazem parte da rotina, e que o mercado de milhas exige estudo e estratégia.
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