O fundo imobiliário HSLG11, sob gestão da HSI, divulgou ao mercado que a Casas Bahia (BHIA3), atualmente em recuperação judicial, possui uma dívida de R$ 4,3 milhões em aluguéis de dois ativos presentes em seu portfólio, referente a setembro de 2026.
Diante desse cenário, o fundo imobiliário ajuizou, em 8 de outubro, uma ação de despejo por falta de pagamento contra a varejista, conforme fato relevante divulgado nesta sexta-feira (9).

Ação do HSLG11 contra Casas Bahia
De acordo com o fato relevante, o pagamento do montante de R$ 4.303.920,14 venceu em 7 de outubro e envolve dois centros logísticos ocupados pela Casas Bahia, localizados em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR).
Com a ação judicial ajuizada em 8 de outubro, a gestora informa que a medida busca resguardar os interesses dos cotistas, sem descartar outras providências judiciais ou extrajudiciais.
Além disso, o HSLG11 destacou que, por se tratar de um crédito posterior ao pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, o montante devido tem natureza extraconcursal. Ou seja, o crédito não se submete, em regra, aos efeitos da recuperação judicial, conforme as disposições legais aplicáveis.
Impacto para o portfólio
Dentro do portfólio do HSLG11, a Casas Bahia corresponde a cerca de 30,7% da receita de aluguel contratada, de acordo com o relatório gerencial mais recente do fundo imobiliário.
Desse total, 27,4% correspondem à locação direta e 3,3% à receita proveniente de áreas sublocadas à varejista.
Os ativos locados pela Casas Bahia possuem cerca de 166,2 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL). O imóvel de Contagem reúne 92 mil metros quadrados, enquanto o de São José dos Pinhais possui 74,2 mil metros quadrados.
Em relação aos dividendos, o fato relevante informa que o aluguel não pago constitui crédito extraconcursal, por ter vencido após o pedido de recuperação judicial da locatária.
Assim, o crédito não se submete aos efeitos da recuperação judicial nas mesmas condições das dívidas anteriores ao processo. O comunicado, porém, não apresenta estimativas sobre eventuais impactos nos próximos dividendos, tampouco informa um prazo para a recuperação dos valores.
Recuperação judicial da Casas Bahia
A inadimplência da Casas Bahia ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da companhia, cujo pedido foi apresentado em 16 de agosto, em conjunto com algumas subsidiárias. No período, fundos imobiliários com exposição à varejista registraram oscilações na Bolsa.
No segundo trimestre de 2026 (2T26), a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor é 18 vezes maior do que o saldo negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período de 2025.
De acordo com a varejista, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes, como contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.
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