O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, nesta segunda-feira (19), que, caso seja eleito, irá acabar com o que chamou de “entraves ambientais por razões ideológicas”. Segundo ele, a decisão permitirá que produtores façam “o que quiserem” em suas terras.
Durante evento com apoiadores em Marabá (PA), Flávio Bolsonaro também defendeu a ampliação da regularização fundiária no país e afirmou que pretende promover a maior iniciativa do tipo já realizada no Pará.
“Eu vou fazer a maior regulamentação fundiária que o Pará já viu, a sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada, você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu”, afirmou o senador.
Segundo ele, a proposta é garantir aos proprietários o reconhecimento formal da posse de suas terras e ampliar a liberdade de exploração das propriedades.
“Esses entraves ambientais que existem, principalmente por razões ideológicas, a gente vai acabar”, afirmou, sem detalhar a quais entraves se referia.

Flávio Bolsonaro defende mudanças
A promessa de Flávio Bolsonaro acompanha uma defesa feita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante seu governo, entre 2019 e 2022.
No período, Bolsonaro apoiava a revogação de parte da regulamentação ambiental que considerava excessiva, mas que ambientalistas apontavam como necessária para preservar a floresta e o meio ambiente.
Na ocasião, o então ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, defendeu aproveitar que as atenções estavam voltadas para a pandemia de Covid-19 e “passar a boiada” para desregulamentar e mudar regras ambientais, o que foi alvo de críticas de ambientalistas.
As declarações de Flávio Bolsonaro colocam novamente a política ambiental e a regularização fundiária entre os temas do debate eleitoral de 2026, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre a exploração econômica das propriedades rurais e a preservação ambiental.
Ambientalistas criticam promessa
A declaração de Flávio, porém, provocou reação de organizações ligadas à defesa do meio ambiente.
O Instituto Socioambiental (ISA) classificou a fala como um discurso atrasado sobre a Amazônia e criticou a ideia de tratar a região como uma área disponível para a expansão da produção agropecuária.
Já Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, afirmou que a proteção ambiental não deve ser encarada como uma questão ideológica.
Segundo Mazzetti, as regras ambientais garantem o direito ao meio ambiente equilibrado e ajudam a evitar danos irreversíveis ao clima e à biodiversidade.
O Observatório do Clima também manifestou preocupação com a declaração. Para o secretário-executivo da organização, Marcio Astrini, a fala representa o risco de uma retomada das políticas ambientais adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro.
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