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Lula e Trump discutem tarifas e retomada de negociações entre Brasil e EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos nesta sexta-feira (21), durante uma conversa por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump. Realizada nesta manhã, a ligação durou cerca de uma hora e 20 minutos e teve como um dos principais temas a retirada das tarifas…

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos nesta sexta-feira (21), durante uma conversa por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump.

Realizada nesta manhã, a ligação durou cerca de uma hora e 20 minutos e teve como um dos principais temas a retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo o governo brasileiro, Trump concordou sobre a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes entre os dois países e propôs que as equipes dos governos voltem a se reunir “o mais brevemente possível”.

Conversa entre Lula e Trump

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), a conversa entre os dois presidentes ocorreu em “tom amistoso e cordial”. No início de agosto, Lula havia indicado a aliados políticos que buscaria uma conversa com o presidente norte-americano nos dias seguintes.

Durante a ligação, o presidente brasileiro afirmou que as alegações utilizadas pelos Estados Unidos para justificar as novas tarifas são infundadas.

Entre os pontos mencionados por Lula estavam questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos fabricados com trabalho forçado.

Além disso, Lula argumentou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu que os dois países permaneçam à mesa de negociação.

Tarifa dos EUA para o Brasil

Em 23 de julho, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre importações do Brasil e de outras economias investigadas por supostas falhas na proibição e fiscalização da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

Segundo o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, a investigação determinada por Trump concluiu que as práticas adotadas por 60 países e economias no combate ao trabalho forçado configuram uma prática comercial considerada desleal e restritiva ao comércio norte-americano.

Dessa forma, o governo dos Estados Unidos estruturou três faixas tarifárias. Para países que já adotam ou assumiram o compromisso de implementar restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado, como Argentina, Canadá, México, Índia e Reino Unido, foi definida uma tarifa de 10%.

Já determinados produtos provenientes da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Suíça foram tributados em 10% ou 12,5%, conforme a categoria do produto. As demais economias investigadas, entre elas o Brasil, passaram a enfrentar uma tarifa adicional de 12,5%.

Relação entre Brasil e Estados Unidos

Além das tarifas, Lula e Trump também discutiram o combate ao crime organizado.

O presidente brasileiro reiterou o interesse do país em ampliar a cooperação com os Estados Unidos e argumentou que as facções criminosas atuam de forma violenta sobre as populações mais vulneráveis, mas não devem ser confundidas com organizações terroristas.

De acordo com a Secom, Lula também apresentou avanços do Brasil no combate ao crime organizado, incluindo a Lei Antifacção, a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, e medidas de asfixia financeira que já resultaram na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões.

Ao final da conversa, o presidente dos EUA se dispôs a reforçar a cooperação bilateral na área e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar continuidade às tratativas entre os dois governos.

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