Mesmo após a ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo norte-americano afirmou que o Brasil tem falhado no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações terroristas estrangeiras.
Em documento enviado ao Congresso dos EUA e divulgado nesta quarta-feira (16), o governo norte-americano afirma que PCC e CV transformaram o Brasil em um centro relevante para os fluxos internacionais de cocaína.
“O governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas PCC e CV, que transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína.”, escreveram.
Para o governo dos EUA, as duas organizações brasileiras representam uma “ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo” e é preciso “tomar medidas agressivas urgentemente para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”.

Conversa entre Lula e Trump
Em 21 de agosto, os presidentes conversaram por telefone durante uma hora e 20 minutos. Entre os assuntos tratados, Lula reiterou o interesse do Brasil em ampliar a cooperação com os Estados Unidos.
O presidente brasileiro argumentou que as facções criminosas atuam de forma violenta sobre as populações mais vulneráveis, mas não devem ser confundidas com organizações terroristas.
Lula também apresentou avanços do Brasil no combate ao crime organizado, como a Lei Antifacção, a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, e medidas de asfixia financeira que já resultaram na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões.
Além disso, ao final da conversa, Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral na área e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar continuidade às tratativas entre os dois governos.
Documento dos Estados Unidos
Embora o documento tenha sido publicado nesta quarta-feira, o governo dos Estados Unidos não detalha quais ações específicas espera das autoridades brasileiras nem apresenta dados sobre o volume de drogas atribuído às facções.
A declaração ainda inclui uma seção na qual a Casa Branca avalia os esforços de diferentes governos do Hemisfério Ocidental contra o narcotráfico e grupos classificados pelos EUA como “narcoterroristas”, com críticas à atuação do Brasil.
Apesar da cobrança relacionada ao PCC e ao CV, o Brasil não integra a relação de países que Washington identificou formalmente como grandes territórios de trânsito ou de produção ilícita de drogas.
O texto afirma que vários países da região vêm adotando medidas para reduzir os fluxos de drogas e enfrentar cartéis e cita Argentina, Equador e El Salvador entre os governos mencionados positivamente por sua atuação nessa área.
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