Após os resultados das eleições presidenciais de 2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), estão entre os principais nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A composição do comando da equipe econômica ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por sinais de maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas, após a reação negativa dos investidores à reeleição de Lula.
De acordo com a Reuters, três fontes próximas ao presidente apontaram Alckmin e Fonteles como os nomes que ganharam força nas conversas sobre a composição do próximo governo.
O presidente Lula, no entanto, não deve anunciar uma decisão imediatamente. A permanência do atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, também segue entre as possibilidades.
A escolha será importante para definir os rumos da política econômica a partir de 2027. No primeiro pregão após a vitória de Lula, os ativos brasileiros registraram fortes perdas.
O dólar teve a maior alta em 23 anos, enquanto o Ibovespa (Ibov) recuou quase 14%, em um movimento marcado pela revisão das expectativas dos investidores para as políticas fiscal e monetária do país.

Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles
A possível indicação de Geraldo Alckmin é considerada uma alternativa para aproximar o governo do empresariado e transmitir maior confiança ao mercado.
Aos 73 anos, a trajetória de Alckmin inclui quatro mandatos à frente do governo de São Paulo, período em que esteve envolvido na condução de políticas econômicas e na gestão das contas estaduais.
Médico de formação, o vice-presidente também ocupou cargos de vereador, prefeito, deputado estadual e federal antes de chegar ao Executivo paulista.

Embora tenha sido adversário de Lula na eleição presidencial de 2006, Alckmin se tornou um dos principais aliados do petista e foi escolhido para compor sua chapa em 2022.
A relação de confiança entre os dois também pesa nas discussões sobre o futuro da Fazenda. Uma das fontes ouvidas pela Reuters afirmou que o presidente confia plenamente no vice-presidente.
No governo Lula, Alckmin acumulou a Vice-Presidência com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, função que exerceu entre janeiro de 2023 e abril de 2026.
O nome de Alckmin já havia sido considerado anteriormente para o cargo. De acordo com a Reuters, a possibilidade de sua indicação também é vista como uma forma de reforçar a credibilidade fiscal do governo e ampliar o diálogo com setores mais moderados do eleitorado.
Lula quer um ministro da Fazenda em quem confie plenamente, disse uma das fontes. “Alckmin é alguém em quem Lula confia 100%”, observou outra fonte à agência.
“Hoje em dia, há pouquíssimas pessoas fora do PT que tenham esse tipo de relação com Lula”, disse uma terceira fonte.
Além de Geraldo Alckmin, outro nome que ganhou espaço nas articulações é o de Rafael Fonteles, de 41 anos, com uma trajetória mais diretamente ligada à gestão das finanças públicas.
Formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), ele possui mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro.

Antes de chegar ao governo estadual, Fonteles também atuou como professor, empreendedor e consultor de investimentos. Foi secretário estadual da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022 e presidiu por dois mandatos o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
Fonteles também teve participação na reorganização da campanha de Lula após o primeiro turno e é próximo do senador eleito e ex-ministro da Educação Camilo Santana. Os dois atuaram juntos na articulação política do presidente no Nordeste.
Apesar da possibilidade de deixar o governo estadual para assumir a Fazenda, uma declaração de Lula durante o discurso de vitória chamou a atenção de aliados. O presidente agradeceu a participação de Fonteles na campanha, mas afirmou que o governador ainda tinha uma “missão a cumprir no Piauí”.
A fala foi interpretada por alguns interlocutores como um possível sinal de resistência a uma saída antecipada do cargo.
Por outro lado, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Fonteles teria sinalizado a pessoas próximas de Lula que aceitaria deixar o governo estadual para assumir uma função no Executivo federal.
Permanência de Durigan
Apesar da força de Alckmin e Fonteles nas conversas, Lula também pode optar por manter Dario Durigan à frente da Fazenda. Atual ministro, ele não é filiado a nenhum partido e, embora tenha menos peso político que os demais cotados, é bem avaliado pelo presidente.
A condição de não pertencer ao PT também pode favorecer Alckmin e Durigan. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, Lula avalia que um nome de fora do partido teria melhores condições de reduzir a desconfiança dos investidores em relação à condução da economia.
A definição do ministro, porém, não depende apenas da escolha de um nome para a Fazenda. As articulações também estão relacionadas ao futuro de Fernando Haddad (PT), que deixou o comando da pasta no início de 2026 para disputar o governo de São Paulo, a pedido de Lula. O ex-ministro foi derrotado pelo atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no primeiro turno.
Futuro de Haddad
Conforme divulgado pela Reuters, Lula considera a possibilidade de nomear Haddad para a Casa Civil. Diante desse cenário, a escolha de Alckmin ou Durigan para a Fazenda poderia facilitar a articulação entre a Presidência e a equipe econômica, já que o ex-ministro mantém relações próximas com os dois.
Outra composição considerada seria a indicação de Fonteles para a Fazenda, acompanhada da nomeação de Camilo Santana para a Casa Civil.
A possibilidade mostra que a escolha do próximo ministro está inserida em uma discussão mais ampla sobre a formação do governo e a distribuição de funções estratégicas entre aliados do presidente.
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